25 fevereiro, 2015

Maternidade #semfiltro

Eu emagreci super rápido depois que tive bebê. Amamentar nunca doeu e sempre tive muito leite. Meu filho é muito tranquilo. Ele é um anjo! Meu bebê dobrou a risada com 3 meses, virou com 4, ficou sentado com 5 meses, engatinhou com 6, andou com 10 meses e é praticamente um gênio. Sem falar sobre como minha barriga é chapada, meus cabelos sempre ultra-hidratados e eu faço tudo isso sem ajuda de babá!

Quem nunca escutou mães falando isso? Hoje em dia com as redes sociais a todo vapor não só escutamos mães falando ao vivo sobre como é a vida delas, mas assistimos na primeira fileira as imagens diárias desse conto de fadas que muitas nos dizem ser a maternidade.

Eu sempre fui competitiva. Desde criança eu sempre quis ganhar. Perder era difícil, as vezes eu queria “melar” o jogo de cartas só porque eu ia perder. Eu jogava handball pelo colégio e todas as vezes que meu time perdia eu chorava. Pode perguntar para o meu pai. Eu nunca suportei “saber menos” ou “não saber” sobre algo que está sendo conversado, sempre pesquisei tudo que me falavam. As vezes estou no computador e me pego indo de página em página investigando um assunto até sentir que sei o suficiente.

MAS, a maternidade é outro lance. Desde que entrei nesse mundo eu sinto a competitividade das mães sobre: parto, amamentação, desenvolvimento do bebê, equilíbrio de trabalho e cuidado com filho, exercício, corpo, educação das crianças etc. Fora as constantes comparações. Como já escrevi antes, ao invés de dividirmos as experiências com compaixão e autenticidade a maioria das blogueiras mamães pinta um quadro de perfeição que é inatingível.

Porque será que quando o assunto é maternidade poucas mulheres topam descrever não só o lado bom, mas o lado difícil? Ou nem o lado difícil, mas o sem glamour, o frustante, ou simplesmente o engraçado. Eu sinto que na maioria das vezes quando eu conto para uma amiga: nossa, o Jack (meu filho de 9 meses) estava choroso ontem, por exemplo, eu escuto: “nossa, todo mundo fica impressionado como o meu bebê é tranquilo”. Pode perceber que o diálogo acaba ali. O que você responde? “Ah, parabéns, seu bebê é perfeito?”. E eu me pego falando: “Não, mas o Jack também é tranquilo, ele é incrível”. Claro que é verdade. Para mim o meu bebê é sim incrível, mas geramos um ciclo de só falar coisas que são aceitáveis para sociedade, sem dividir nossa dúvidas e inseguranças.

Eu não vejo o lado bom de várias blogueiras postarem fotos de seus corpos pós bebê dizendo: “graças a amamentação eu fiquei assim” – sim, amamentar as vezes ajuda, mas ter uma academia em casa, um personal trainer diário, uma equipe te ajudando, também ajuda. Que tal sermos sinceras? Eu tenho curiosadade de saber como as mães dão conta, mas tenho essa curiosidade não para julgar (ah, também assim eu conseguiria), mas para me inspirar. Faz sentido?

Se é para postar sobre a maternidade, vamos fazer de verdade #semfiltro. Não existe vergonha em dizer que se tem ajuda em casa, que não quis dar de mamar, que seu bebê não dorme direito, que seu filho faz birra, que seu bebê ainda não anda ou engatinha, ou fala. Tudo bem! Ou também dividir conquistas. Não existe mãe que ama mais do que a outra. Cada uma de nós ama nosso bebê mais do que tudo.

As narrativas de quem somos como mães acabam virando mantras no facebook e no instagram e são raras a mommys blogueiras que topam ser controversas e falar como realmente se sentem para seus 100-200- 500 mil seguidores. Eu repito, nós mamães nos beneficiamos da sinceridade de outras mamães.

Eu sempre digo que com maternidade a gente ganha algumas batalhas e perde outras, mas o mais importante é ter apoio e suporte de outras pessoas que também passam por isso todos os dias.

Agora eu tenho que ir, porque o Jack vai acordar da soneca e a pessoa que me ajuda aqui em casa vai embora às 2pm. Aí sou e ele até meu marido chegar a noite já que eu trabalho a maioria do tempo de casa. E vocês, como fazem funcionar a vida de mãe?

beijos!

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